GABJ
PESO conversou com a DJ do Viela 17 sobre influências musicais, aprendizados com o mestre Japão, machismo e características do rap do DF.
Entrevista por Thiago Flores via Whatsapp em 5 de maio de 2020.
Como começou seu envolvimento com música? Começou como DJ mesmo ou fez outras coisas antes disso? Tocou algum instrumento?
Desde criança, escutar música era meu hobby favorito. Meu envolvimento começou aos 14 anos, quando comecei a sair pras festas da cidade. Meus amigos desde já eram DJs, produtores musicais e faziam festas. Não toquei instrumento, meu envolvimento foi direto com o setup de dj e programa de produção musical.
Você se lembra do primeiro rap que você ouviu ou do primeiro que te marcou? E a primeira vez que você subiu num palco?
Não tenho certeza qual foi o primeiro rap, mas lembro de Chega aí Jhow e Carro de Malandro marcaram meus 13 anos. A primeira vez que subi no palco foi em uma festa na UnB.
Quando você percebeu que ser DJ poderia virar uma profissão?
Antes, eu tinha uma loja de roupas virtual. Percebi que DJ poderia virar uma profissão quando eu estava tirando dinheiro do cachê pra investir na loja.
Você trampa com o Japão (Viela 17), um dos pioneiros do rap no DF, que já passou por altos e baixos na carreira. Quais são as lições mais importantes que você tira dessa convivência?
Eu acho que as lições mais importantes tem a ver com como é ser um artista; com a responsabilidade com as pessoas com quem você trabalha, com o público e com a sua missão, sua mensagem.
Aprendi muito sobre o trabalho do backstage, dos técnicos de som, dos roadies. Aprendi sobre iluminação, palco, produtores de palco em geral, sobre as pessoas que estão ali e fazem com que tudo aconteça da melhor forma.
O trabalho com toda a equipe, músicos e outros artistas abriu minha mente em como discotecar de diversas formas. Mudou meu olhar.
Um dos aprendizados mais importantes é que cresci muito como ser humano. Todos nós ali do Viela 17 somos família.
E qual é a sua contribuição para o grupo? O que você acha que acrescenta nessa troca?
A contribuição do meu trabalho é poder quebrar esse tabu, o preconceito de uma mulher ser DJ de um grupo de rap masculino, embora, hoje, no Viela, grande parte do time são mulheres (cantoras, produtora, fotógrafa, dj).
Acho que posso ajudar a levar a mensagem para um público jovem também.
Você acha que o universo do rap reproduz o machismo da nossa sociedade? Você sente isso na sua caminhada? Já encarou alguma situação de discriminação mais explícita?
Sinto. No meio artístico, a discriminação é mais camuflada, mas é muito presente. Existe a subestimação da capacidade de discotecar ou produzir, o valor do cachê é mais baixo do que os dos homens, etc. Eu já fui barrada pelos seguranças na entrada de um evento em que eu ia tocar.
Você acha que ser bonita ajuda, atrapalha ou é indiferente na sua caminhada como DJ?
Eu acho que faz com que as pessoas subestimem ainda mais o meu trabalho.
Quem são as minas do rap que você mais admira?
Belladona, Flora Matos, Karol Konka, Clara Lima, DJ Cinara, T-Sya, JJalvim, DJ Dacandy, DJ Shortee, tem a criançada gringa DJ Michelle, DJ Livia, DJ Samira e Kayla.
Quem são os produtores que você mais admira? Pode citar locais, nacionais e internacionais, fique livre.
Tropkillaz (Zegon e Laudz), Dr. Dre, Timbalad, Diplo, Tallboys, Kidcutup. Vou citar os daqui, tem os meus conhecidos: Klap, Jlz, Tap, Sanvtt, Cersv, Dj Raffa, Sydney, tem o Papatinho, DJ thai, Tucho e outros.
Como é a sua pesquisa de referências para fazer suas mixagens? O que mais gosta de utilizar?
Minha pesquisa é diversa. Sempre busco novidades de músicas, beats, remixes, estilos diversos dentro da minha “pegada” na discotecagem. Procuro sempre evoluir o lado performático, trazer novas experiencias e mixagens, com scratchs, efeitos e funções que posso utilizar no equipamento e programa.
Em termos de sonoridade e produção musical, quais as principais diferenças entre o que era produzido nos anos 90 e o que se faz hoje? Quais influências e estilos ganharam importância, quais perderam?
A diferença está no estilo, nos timbres e instrumentos usados. Nos anos 90, o estilo era o boombap, originário do soul e do funk em forma de loop.
O estilo de hoje é mais variado, tem como referência o trap. A diferença está no chimbal, num bumbo com um grave mais potente, o famoso 808, e os bpms que variam mais.
Na sua opinião, quem são os novos artistas de rap do DF com mais chance de ter sucesso?
Acho que Menestrel e Froid já tem feito sucesso. DJs e produtores em geral não só de rap: o Klap e o Jlz.
Quem são os personagens mais importantes desses quase 40 anos de rap do DF?
Viela17, GOG, Jamaika,Tribo da Periferia, Rei(Cirugia Moral), Dj Ocimar, Marquinhos da Smurphies, Pacificadores, Hungria e outros.
Top 5 da GabJ- Músicas ou álbuns do rap do DF especiais para você
Viela 17 ft Look e Vadioslocos - Só Curto o Que é Boom
DJ Jamaika – Tô só observando
Tropa de Elite – Seis Bocão (Opala 71 Azul)
Kerre- O Grave Treme o Baile
Look - Chega Aí Jhow