Afroragga

Afroragga é MC, produtor musical, criador de conteúdo, professor e pesquisador da cultura hip-hop. MC’s de Classe, MOVNI, Escola do Flow, a lista de projetos do artista de Taguatinga é longa e relevante. Nessa entrevista por email, falamos sobre identidade, sonoridades do rap do DF, desafios para carreira do artista iniciante e carências do cenário cultural brasiliense.


Onde você nasceu? Onde foi criado e onde mora atualmente? 

Eu nasci no DF. Nascido e criado em Taguatinga. Na QNL. Morei nas duas QNLs: um tempo morei na 09 e cheguei a morar na famosa Chaparral, também, tá ligado.

Como foi sua vivência com música dentro de casa,
no ambiente familiar?

A minha vivência musical foi muito rica, apesar dos meus pais não fazerem música profissionalmente.

Minha mãe gostava muito de ficar dançando e cantando, de um jeito muito animado. Ela gostava de ouvir vários tipos de música. Sempre me pegava para dançar, me pegava no colo e ficava fazendo várias performances. 

Eu acho que isso desenvolveu muito minha aptidão pra música, meu ouvido. Digo que minha mãe é minha principal influência musical. 

Meu pai gostava de cantar, de forma despretensiosa nos bares, pagodes, nos sambas que ele ia. Ele tem essa raiz do samba e do pagode, mas nunca teve pretensão de ser cantor.

Esses dois fatores fizeram muita diferença para me estimular a musicalidade. Não com o objetivo do filho deles ser profissional, eles nunca tiveram essa visão, mas sempre me estimularam musicalmente.

E o rap? Como ele entrou na sua vida e quando decidiu levar
a parada a sério?

O rap entrou na minha vida em 2003. 

No ensino médio, eu encontrei um cara chamado Wellington e ele levava o violão dele pra escola. A gente se deu super bem, ficou dividindo influências e ficava ensaiando algumas música juntos, pra pegar a manha. 

Uma professora nossa de educação física sugeriu que a gente cantasse uma música na gincana do colégio. Eu lembro que a gente cantou aquela música “Mudaram as estações, nada mudou” É do Legião, mas a versão da Cássia Eller ficou muito mais foda. 

Eu lembro que eu tava nervoso, subi no palco velhor e me entreguei à música. Fechei os olhos e, quando eu terminei, vi as pessoas emocionadas e eufóricas. Foi aí que eu comecei a sentir que tinha alguma, algum poder ali, alguma habilidade com música. 

Nesse dia, um namorado da minha irmã me viu cantando e quando eu desci do palco, ele falou: “Cara, tu gosta de cantar rap? Conhece rap?“  Era o DJ Liso, que é meu DJ até hoje. Falei: “conheço, mas não tão a fundo. Já ouvi algumas coisas que minha irmã ouvia.” Aí, ele falou: “vamos marcar de se encontrar pra eu te mostrar.” 

Ele foi meu mestre. Me mostrou o rap de maneira aprofundada e, desde então, o rap mudou minha vida completamente. Quase tudo que eu tenho, hoje, é por causa do rap. Inclusive, a minha esposa, eu conheci no contexto
do rap. 

Ele me levou pra fazer freestyle na Praça do DI, em Taguatinga. No começo, eu gaguejava, mas persistia. A partir daí, fui desenvolvendo o rap de maneira geral.

Em 2006, eu tive a alegria de conhecer outro mestre: o Ragga de Mente. Ele estava morando na rua do meu pai, na época. Ele viu um potencial em mim, tá ligado. E aí, a partir de 2008, eu passei a querer viver disso, profissionalmente. Aí, o Ragga me passou um caminho, porque ele já estava vivendo de música na época.

Você é um cara muito versátil, faz várias coisas bem dentro do rap. Como e quando você aprendeu a fazer produção musical? E quando você percebeu que poderia ensinar esse conhecimento?

Ao longo do tempo, eu fui expandindo a minha visão sobre rap de uma maneira natural. Eu sempre fui muito curioso, sempre quis entender as coisas a fundo, tá ligado? 

Primeiro fui entender a questão da rima, o flow. Entender como nossa linguagem influencia na escolha de uma escrita, sobre a sonoridade.

Em 2011, eu tive oportunidade de produzir meu primeiro álbum com o Duckjay. Aí, eu fui prestando atenção na produção. Eu achava muito curioso como que saíam os resultados ali, tipo gravando no microfone. Como o Duckjay tirava aqueles resultados? 

Eu passei a me interessar e fazer cursos de áudio, por influência do Duck, do DJ Batma e do PlayStudio. Na verdade, no começo do MOVNI, eu falava que o Duck ia parar de produzir em algum momento e que a gente teria que aprender a fazer nossa pré-produção e tal, que era importante a gente começar a aprender isso, a buscar equipamento. Eu fui indo atrás disso tá ligado. 

A Escola do Flow veio porque muitas pessoas me pedem opinião sobre música: “o que eu acho do flow delas, o que eu acho sobre a cena”.  A galera gosta do que eu faço e sempre pediram a minha opinião. 

Eu percebi que eu podia transformar isso num método de ensino. Eu senti facilidade em conceituar as coisas. Então, eu criei esse conceito e uma metodologia de ensino que eu apresentei pela primeira vez lá no espaço UBUNTU, do Recanto. 

A Escola do Flow tem o objetivo de impulsionar a visão profissional e musical de quem deseja viver o rap como ofício. E também para quem já é rapper experiente, mas que está sempre procurando aprimorar as suas habilidades, buscando conhecimento. 

Eu sinto que minha versatilidade, em relação ao rap, vem crescendo. O rap, realmente, se tornou meu campo de negócio e eu tô buscando expandir cada vez mais.

Na década de 1990, o rap do DF ganhou bastante projeção no cenário nacional. Muita gente enxerga características comuns nas produções daquela época. Você identifica esses elementos ou uma identidade do som produzido aqui naquele período? 

Eu acho que o rap do DF sempre prezou pela identidade e isso não foi uma coisa premeditada. A gente tem o histórico legal de musicalidade, de identidade. O DF tem essa característica do grave.

Mas eu acho que existem algumas coisas peculiares. Depois dos anos 90, o Tribo da Periferia conseguiu definir uma estética que é a nossa cara: o grave nos beats, uma cadência, uma métrica mais lenta, em alguns casos, até melódicas, tá ligado?

Tanto que, quando o trap veio, eu não achei novidade. Pra mim, o Tribo da Periferia já fazia algo nessa estética e de um jeito bem brasileiro, tá ligado. 

Quais as transformações mais relevantes entre o rap produzido nos anos 1990 e 2000 e o que é produzido atualmente? 

Na década de 1990, não tinha muito recurso e não tinha muita referência de como fazer as coisas. Então, era muito difícil conseguir as coisas, não existia essa parada do beat free. 

Nos anos 2000, eu acho que a maior característica foi a competição pela criatividade. Eu acho que não existiu no rap até agora um período no qual as pessoas lutavam tanto para fazer beats cada vez mais criativos, parecia uma batalha entre produtores: quem consegue fazer o beat mais foda, mais diferente? Essa é uma coisa dos anos 2000 que foi muito massa. 

A partir dos anos 2010, o trap veio e se tornou o açúcar da indústria. Acho que a gente está vivendo um momento de muita repetição, sacou. É muita preocupação com o que parece ser fácil, funcional, com plays, com visualizações. Aparência. 

Não tem muito essa parada de fazer um som foda, tá ligado. De acreditar numa veia artística, numa mensagem, tá ligado. Hoje, estamos vivendo um momento muito plástico da música. O pior momento, na música geral, não só no rap.

Apesar disso, uma coisa boa que está acontecendo no rap do Brasil é que a pessoas estão buscando ser mais profissionais. Tá evoluindo muito a qualidade dos produtores, principalmente. 

Acho que os produtores estão evoluindo mais que os artistas, na real: a galera que está se preocupando remixagem, masterização, ter o estúdio mais foda, fazer beats melhores e tal. Hoje, a gente está na era dos produtores, mais do que dos rappers. 

Acho que os rappers estão precisando estudar mais a arte, mais referência. Se preocupar mais com impacto da mensagem, simbologia, trazer coisa mais diferente, se arriscar mais.

Que tipo de sonoridades estão em alta no momento?
O que tem te atraído nas produções atuais?

Tem trap em tudo atualmente. Inclusive na música pop. 
Seja no high hat, seja 808, que são as características mais marcantes, acho que tem muita repetição, tá ligado.

Mas também, eu vejo muita gente foda aparecendo, tá ligado? Coisas que tem carisma, que são legais. Eu gosto muito do experimentalismo e da lírica do Froid,
acho diferente. 

Gosto muito do Djonga, tá ligado. O Djonga, pra mim, é o Racionais da nova era. Ele sabe codificar muito bem as questões da classe trabalhadora, do povo periférico.Eu acho que ele tem uma linguagem de rua muito moderna, tá ligado. 

Major RD é um cara muito punchline. O cara é Mike Tyson na parada, tá ligado. Cada rima dele é uma linha de soco. Tem o MD Chefe, né, velho, que é da hora também. Bem comercial e tem um jeito muito próprio de fazer o trap dele.

Eu vejo que no Brasil tá crescendo, os artistas estão procurando muita qualidade, mas eu vejo muita emulação dos gringos, tá ligado? A gente tem que tentar voltar mais para a discografia nacional, que tem muita coisa foda,
tá ligado?

Na Escola do Flow, você fala sobre um monte de assuntos relacionados a rap. Como você seleciona os temas das suas falas? Como é a pesquisa para abordar os tópicos?

A escolha das temáticas vem de dois caminhos.

Ou as pessoas sugerem, nos comentários dos vídeos, nas interações que a gente tem nos feedbacks. Ou são assuntos que eu vejo que são relevantes, que são importantes para um rapper saber. Porque eu conheço os dois lados da moeda: o do rapper e do um produtor. 

As pesquisas dependem muito do assunto. Tem algumas coisas que eu tenho experiência para falar com segurança, tem outras que a gente pesquisa de acordo com a necessidade. Por exemplo, se você for falar de alguma coisa histórica, é legal dar uma pesquisada para confirmar algumas informações. 

No geral, a experiência, a vivência é uma coisa que define muito os meus vídeos. Eu também elaboro muitas teorias.

E quais as principais dúvidas dos novos rappers ou produtores que te procuram?

As principais preocupações de quem me procura tem a ver com a letra.  Mas a maior deficiência é o ritmo. Rap significa ritmo e poesia, rhythm and poetry em inglês. O ritmo vem primeiro na hierarquia. Meu conceito de flow é: ritmo, expressão e jogo de palavra, exatamente, nessa ordem. 

Se você está cantando rap, uma coisa totalmente ritmada, e você não consegue cantar no ritmo, você não consegue ser um rapper, na minha opinião. Você tem que dominar o ritmo, você tem que saber o que é métrica, o tempo que você tem pra fazer cada verso, saber o que é compasso, quantas rimas eu faço numa estrofe. 

A maior deficiência que eu vejo, realmente, é a dificuldade em entender o ritmo, cara. O ritmo é a estrutura musical. Quando você tem dificuldade com o ritmo, automaticamente, você acaba destruindo a métrica, tendo dificuldades com a respiração e acaba comendo as palavras. 

Quais as maiores deficiência que você vê na cena local? Por que o DF, embora tenha um público gigante de rap, talvez não tenha um mercado que consiga sustentar artistas, produtores, realmente um circuito mais bem formado de rap?

As principais preocupações de quem me procura tem a ver com a letra.  Mas a maior deficiência é o ritmo. Rap significa ritmo e poesia, rhythm and poetry em inglês. O ritmo vem primeiro na hierarquia. Meu conceito de flow é: ritmo, expressão e jogo de palavra, exatamente, nessa ordem. 

Se você está cantando rap, uma coisa totalmente ritmada, e você não consegue cantar no ritmo, você não consegue ser um rapper, na minha opinião. Você tem que dominar o ritmo, você tem que saber o que é métrica, o tempo que você tem pra fazer cada verso, saber o que é compasso, quantas rimas eu faço numa estrofe. 

A maior deficiência que eu vejo, realmente, é a dificuldade em entender o ritmo, cara. O ritmo é a estrutura musical. Quando você tem dificuldade com o ritmo, automaticamente, você acaba destruindo a métrica, tendo dificuldades com a respiração e acaba comendo as palavras. 

Que tipo de qualidade e habilidades um rapper precisa ter
para construir uma carreira sólida e duradoura?

Você colocou um ponto importantíssimo: estamos falando de uma carreira sólida e duradoura, não de pessoas que querem ser famosas, que querem estourar. Quem estoura é gás de refrigerante, né. Se a gente quer uma carreira, é uma construção eterna. 

É uma jornada, um estilo de vida. Não é uma parada que tu ganhou o prêmio de alguém, ganhou o reconhecimento de alguém famoso ou que teve um som com muita repercussão, que milhões de plays.

Tudo isso é importante, são coisas relevantes, mas são tijolinhos da sua carreira. São coisas para você comemorar, mas nada disso é definitivo, tá entendendo? Existem derrotas, existem vitórias. 

É uma jornada e você precisa confiar na sua identidade. Você precisa ter identidade, tá ligado. Estudar, confiar nas tuas ideias, na tua letra. Tem muita gente que fica tentando imitar outros artistas e tentando fazer coisas que parecem dar certo pra todo mundo e esquece da própria personalidade. Você não pode ignorar o que você gosta por dentro, entendeu, o que está falando dentro de você. 

Então, eu acho que essa é a habilidade essencial: entender que é uma jornada e é feita de tijolinho em tijolinho. Uma carreira é pra sempre, até o fim da vida.

A internet e as redes sociais desempenham um papel definidor nas carreiras artísticas atualmente, mas podem tanto beneficiar quanto prejudicar trajetórias. Que tipo de vantagem as redes podem trazer? E quais seriam os prejuízos?

Pode ajudar muito, porque você pode pesquisar as coisas com facilidade, pesquisar referências, pesquisar artistas, pesquisar histórias, trajetórias e da onde as coisas vieram. Existe tutorial de como fazer várias coisas. Nesse sentido, é muito bom. 

Agora, o que atrapalha é que a internet tem associado plays à qualidade musical. É um tiro no pé da classe artística. Eu torço para que isso mude um dia. Não é porque uma música tem 2 milhões de plays que a música é foda, entendeu?

Isso infectou uma mentalidade, inclusive, nos meios jornalísticos. Isso acaba depreciando artistas que não tem uma grande quantidade de seguidores e de views, mas tem um conteúdo relevante, saca? 

Os views você pode comprar, né mano. Você pode comprar, pode impulsionar. Seguidor também.  Acho que isso atrapalha a classe artística. Você ficar bitolado com parada de play e esquecer da parte da arte, esquecer até do marketing mesmo. Porque, às vezes, tem mano que quer play, mas não estuda como divulgar. As pessoas não estudam, criativamente, como promover suas músicas.

Quais a principais deficiências da cena de rap do DF atualmente? No âmbito da produção cultural, do mercado.

O maior desafio do DF, pra mim, na verdade, é o transporte, né, mano. Aqui você tem um metrô que 23h30, se não me engano, acabou e abre 6h30. Pior ainda no final de semana, mais especificamente, no domingo. Não tem metrô de Planaltina à Chaparral ou de Planaltina à Ceilândia por falta de interesse do poder público mesmo. É para criar um apartheid mesmo, para as pessoas não chegarem nos lugares, tá ligado. 

Então, eu acho que nossos maiores problemas são o transporte limitado e a disponibilidade de espaços . Você tem uma dificuldade muito grande para ocupar os espaços públicos porque as pessoas têm que ser, tipo, bonequinho. Não pode fazer barulho, não pode ocupar muito lugar. O problema de ocupação aqui é grande, tem uma perseguição muito grande do poder público, de quem governa. Não tem planejamento cultural mesmo, de ocupação. 

Quem seriam as suas apostas no rap brasiliense? Quem são
os artistas com maior potencial para despontar local
ou nacionalmente?

Eu sou suspeito pra falar, mas, tem alguma coisa na água do DF que faz a galera ter um capricho sonoro, uma veia artística muito forte. Mas ter talento é o básico. Tem que trabalhar pra fazer acontecer. 

Eu vejo o Hate, tá ligado? O Hate é um mano que está trabalhando firme, se aperfeiçoando, melhorando cada vez mais, tá ligado. Um moleque da nova era que, porra, manda super bem. Tem o talento e a dedicação pra despontar nacionalmente, sacas. 

Eu vejo uns manos que eu tô achando bem legal. Eles entraram para a Indústria Kamikaze recentemente: os manos da AGriff. Acho que ele tem uma sonoridade muito legal, muito comercial, tem um visual da hora e tal, até porque eles estão sendo abraçados por uma galera grande.  Os moleques são bons pra caramba e estou curioso pra saber pra onde vai dar. 

O Murica já chegou a ser citado até pelo D2. O Murica, a galera do Puro Suco, o MK como beatmaker e tal, acho que são grandes talentos e que vão conseguir, realmente, consolidar.

Na sua opinião, quem são os principais personagens desses quase 40 anos de rap no DF?

Porra, véi.

A galera do começo, que pegou o rap no matagal: Rei, do Cirurgia Moral, a galera do Álibi, GOG, Câmbio Negro. Tem os manos lá de Planaltina, o grupo do Nego Thales, Código Penal, os caras foram importante também. DJ Jamaika. Todas essas pessoas foram muito importantes.

Eu acho que a galera do rap gospel também ajudou muito no começo do rap de Brasília. Provérbio X, principalmente, tá ligado. Uma galera que eu acho que ajudou na projeção nacional do DF.

Depois, a outra grande abertura veio através do Tribo da Periferia, tá ligado, um divisor de águas na nossa estética

Eu acho que o Froid é um artista foi muito relevante pra nossa terra também. Não nasceu exatamente no DF, mas se criou aqui, né, cara. Cresceu como artista aqui. Acho que ele trouxe uma força muito grande pra nossa cena.

Top 5 do Afroragga
Faixas ou álbuns especiais do rap do DF para você.

Movni – Laboratório (álbum)
É um álbum que eu acho que ainda vai ser entendido, daqui a alguns anos. Tem um experimento, uma construção sonora muito foda, tá ligado, principalmente pra quem está procurando experimentar coisas novas, assim. Existe rap experimental? Véi, existe, vai lá, ouve Movni, Laboratório 2014.

Um Barril de Rap – 2ª Via (álbum)
Eu gosto muito do primeiro trabalho deles [Rap dos Meninos], mas neste, eles vieram bem mais maduros, bem mais foda. Um álbum que do começo ao fim é muito sinistro,
tá ligado.

GOG – Mun Rá High Tech (álbum)
Eu tive a oportunidade de participar em uma música, um refrão e um instrumental. Eu fiquei de cara quando eu conheci o GOG.
O cara tem 60 anos, velho, e em gás que muito moleque não tem, tá ligado? É um disco do caralho.

Diogo Loko – Pensamentos Livres (faixa)
É um rapper das ruas mesmo, tá ligado. Eu acho que os trampos do Diogo Loko são muito foda, são muito rua real, sabe. Ele é um cara que tem uma linguagem urbana muito avançada. Pro cara fazer aquilo é porque ele tem uma vivência real. Isso torna a lírica e expressão do cara muito forte.

Tribo da Periferia – Imprevisível (faixa)
Dentre várias faixas fodas, vários hits que eles fizeram tem uma que eu fico de cara de como ele acertou na linguagem, na simplicidade da parada. Só é capaz de fazer uma música como essa alguém que faz muita música e quem tem muita experiência. 

Pra quem tem visão de produtor, pra quem faz rap há muito tempo e estuda a música como um todo, uma música perfeita.
A construção dela, o mapa dela, sabe, a estrutura. É muito doido esse som, mano.
Ele é um pop do rap avançado.